Fake news: quando comunicar é também proteger

Senior Account Manager
João Queiroz

Fake news: quando comunicar é também proteger
A velocidade a que a informação circula nunca foi tão grande — e, com ela, a facilidade com que se distorce. As fake news já não são episódios isolados: fazem parte do nosso dia a dia, espalham-se sem filtro pelas redes sociais, pelos grupos de mensagens, pelos algoritmos que nem sempre distinguem o que é credível do que é ruído. Comunicar, hoje, é também proteger, tornou-se um ato de responsabilidade.
Essa responsabilidade é ainda maior para marcas, empresas e instituições que procuram construir relações de confiança. Afinal, como manter a credibilidade num ambiente onde a desinformação se espalha mais depressa do que os factos? O estudo The State of Democracy 2025, da Ipsos, mostra que os cidadãos veem as fake news como uma das maiores ameaças à estabilidade democrática, lado a lado com corrupção e extremismo. A preocupação é global e real.
A boa notícia é que sabemos cada vez mais sobre o que funciona no combate a este fenómeno. A investigação mostra que pequenas intervenções de literacia mediática — aprender a identificar sinais de manipulação, reconhecer padrões suspeitos ou avaliar fontes — têm efeitos concretos na forma como avaliamos informação online, tanto no momento como dias depois. Ou seja, não basta corrigir uma mentira: é preciso capacitar as pessoas para a reconhecerem antes de acreditarem nela.
Em Portugal, o desafio é especialmente sentido. O Digital News Report 2025 revela que 71% dos portugueses se preocupam com a desinformação e com a dificuldade de distinguir conteúdos verdadeiros dos enganosos. E há uma relação clara entre confiança nas notícias e receio de ser enganado: quem confia mais nos media é também quem mais teme a desinformação.
Tudo isto reforça uma ideia central: comunicar com responsabilidade vai muito além de desmentir boatos. É trabalhar para que o público esteja mais protegido, mais preparado e, sobretudo, mais consciente. O fact-checking continua a ser fundamental, mas tem limites —muitas correções chegam tarde, nem sempre são vistas ou acreditadas, ou chegam a todos. Por isso, transparência, educação e clareza são pilares tão importantes quanto a verificação.
Há, porém, uma enorme oportunidade: num mundo saturado de excesso de informação, quem comunica com rigor e com ética torna-se um porto seguro. As pessoas procuram referências que lhes deem estabilidade e coerência, quem lhes fale verdade mesmo quando ela é complexa. Essa transparência gera confiança — a única resposta eficaz num ambiente de interrogação constante.
Combater a desinformação começa nas mensagens que construímos, na forma como contextualizamos informação e na clareza com que respondemos a crises. Mas passa também por educar, por promover literacia mediática e por ajudar o público a navegar este mar de conteúdos nem sempre com boas intenções. Porque comunicar bem não é apenas contar histórias — é dar às pessoas as ferramentas para distinguirem as que merecem ser contadas. Comunicar é, cada vez mais, proteger.
